segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
quinta-feira, 1 de julho de 2010
A pessoa que vos fala
Eu sou o tipo de pessoa metódica, aquela que quando sai de casa prepara tudo direitinho.
Apago as luzes, olho três vezes o gás do fogão, fecho as janelas, mas o principal para mim é ter tudo o que preciso dentro da bolsa. Porém, abdiquei dela por uma linda mochila.
Nela cabe quase tudo: notebook, carregador, livros, módulos, carteira, lápis, caneta, borracha, mp4, bloco de notas e papéis de ofício. O gloss eu não coloco porque nunca uso mesmo.
E a mochila é cheia de compartimentos. Até lugar pra moeda tem.
Ah, já ia esquecendo outra coisa sobre ser metódica, eu chego nos locais com uma hora de antecedência. Raro é me atrasar. Eu gosto de ordem, embora eu seja bagunçada.
Em suma, detesto quando algo imprevisível acontece ou está totalmente fora dos meus planos. Detesto fazer algo errado. Detesto ser surpreendida com algo desagradável e faço mesmo uma tempestade num copo d’agua.
Mas o episodio a seguir que me aconteceu, dessa vez, não foi tempestade.
O Acidente
Pois bem. Após chegar atrasada ao meu curso, tentei estacionar na garagem paga:
-São seis reais senhora, pode estacionar ali. – disse o guardador sem olhar pra mim.
-Vou pagar logo antes de sair do carro – eu disse, pensando na onda de assaltos do bairro.
Procurei minha carteira, não achei. Tirei tudo dentro da mochila e não achei a carteira.
Fiquei desesperada: E agora? Sem carteira de motorista e digirindo? Onde é que eu iria estacionar? Como pagar?
-Moço. Eu esqueci minha carteira... – falei sem graça - Será que eu poderia pagar amanhã? O curso é aí na frente, eu venho amanha e pago.
-Infelizmente não posso. – disse ele sem a menor compaixão.
Filho da mãe.
Saí da garagem com o carro, totalmente indignada.
O curso era longe, não poderia voltar para casa! E agora? Onde eu estacionaria?
Já sei! Na vídeo hobby! Passei o sinal e virei para a esquerda, no momento em que viro só ouço o estrondo: PROOOOFTTTTTTTTT!
Ouvi o barulho e parei o carro de vez sem entender nada.
Vi que tinha batido do lado, mas só enxerguei o retrovisor retorcido com o vidro pendurado. Não havia carro batido em mim. Abri o vidro do carro e olhei para os lados, nada. Olhei pro chão e lá estava ela:
Uma moça deitada, segurando a barriga.
-Meu deus! Atropelei uma pessoa!
Liguei rapidamente o alerta do carro.
-Você está bem? – gritei pra ela.
-Estou – ela disse tentando se levantar.
-Não se mexa! – gritei – Fique aí, eu vou ligar pra Samu! Não se mexa!
-Eu to legal... – ela disse se arrastando no chão pra levantar.
-Espera! Tá sangrando? Não pode se mexer!
-Eu to bem... Só dói um pouco o braço. – ela se levantou.
-Então entre no carro que eu vou te levar ao hospital! – falei super nervosa.
Enquanto isso os carros passavam bem devagar ao meu lado. Um bando de curiosos atrasando o trânsito.
- Não precisa me levar ao hospital...-ela disse entrando no carro e segurando a barriga.
-Meu Deus! E se você quebrou o braço? E a barriga ta doendo?
-Não, é só braço que dói.
-Será que quebrou?
-Foi mais o baque, porque eu cai em cima dele, mas não quebrou.
-Meu Deus! Eu não acredito que isso aconteceu! – gritei tentando não chorar. – Mas espera, como foi isso? O sinal tava aberto pra você? Você atravessou a rua com o sinal fechado? Pra mim tava aberto! Como foi isso?
-É que é uma transversal. – ela explicou bem calma - Eu só olhei pra uma rua e não vi a rua que você tava, fui atravessar correndo e me bati com seu carro.
-Que louco! Eu só ouvi o baque, quando olhei pra você pensei que tinha passado por cima! Tô me tremendo até agora!
-Fique calma. Você vai me levar em casa?
-Claro! Fica onde?
-Na outra rua.
-Tá... Te levo... Meu deus!
-Não se preocupe, ta tudo bem.
-Mas não quer ir pro hospital mesmo?
-Tá tudo bem,só quero ir pra casa.
Affffffffffffff
Deixei ela em casa, parei o carro porque nem conseguia dirigir mais direito do tanto que minhas pernas tremiam. Olhei de novo na mochila e vi um dos compartimentos fechados. Abro e lá está ela, a minha carteira
Que raiva!!!!
Pois eis que as vezes ser metódica serve para nada.
Porém só consigo pensar uma coisa: Poderia ter sido bem pior.
terça-feira, 18 de maio de 2010
ATITUDE!
Outro dia fui pra uma festinha, dessas que eu não ia há muito tempo e sentia falta.
Espaço pequeno, som alto, samba que eu não sei dançar, mas gosto de ouvir, gente bonita curtindo, pouca luz, cerveja etc.
No meio da dança uma querida amiga me fala:
-Ísis, você é até bonita, mas sabe o que lhe falta?
Fiz cara de quem não sabia.
-Atitude! Falta em você atitude! Você fica aí parada se mexendo assim... – disse ela fazendo uma cara de lerda olhando pra cima.
-Você acha? – perguntei surpresa.
-Acho! Tem de ter mais atitude! – ela falou com ênfase e voltou a dançar.
Fiquei intrigada.
Atitude?
O que seria exatamente ter atitude? Em relação a que?
Pensei um pouco em mim.
Comecei a contabilizar um monte de coisas em que eu não tinha atitude. Matar barata por exemplo. De mim não sairia nenhuma atitude com barata ou insetos. No máximo uma corrida de mil metros pra bem longe. Atitude... Talvez em relação às pessoas? Será que ela estava se referindo a minha personalidade? Uma mocinha gentil e educada com papo bom e bem informada como eu? Como poderia ser? Onde mais? Bom, ela não poderia estar se referindo na cama, afinal ela jamais poderia saber como seria, há há. Afinal, a minha publicidade sempre fora em quatro paredes, ora essa!
O que me faltava atitude afinal?
Já sei. Eu, quase trintando, desempregada. Era isso.
Ela estava se referindo ao fato de que eu não estava estabilizada, com um emprego bacana, sendo admirada pela minha posição social e coisa e tal. Que coisa hein. Fiquei decepcionada. Mais uma vez prevalecia a lei de você ser o que você faz e não realmente o que você é.
Se eu fosse uma puta advogada, ou vendedora de cosméticos que me achasse uma puta vendedora, então eu teria atitude.
Atitude era me gabar!
O que eu poderia dizer em relação a isso? Afinal esse nunca fora o meu perfil...
Calma aí, eu bem sei que a minha amiga da festa estava se referido apenas a dança. É preciso atitude pra dançar, concorda? Eu havia viajado na maionese, mas ali, naquele momento, eu só conseguia pensar na atitude dos guns and roses. Cuspir nos outros e mandar tudo a pqp***.
Atitude!
segunda-feira, 5 de abril de 2010
2010 no Surf!

Na primeira semana do ano comprei uma prancha de bodyboard, dessas que você surfa de peito, totalmente multicolor na cor vermelha e roxa.
Virar surfista era a minha mais nova meta!
Não entendia o porquê de tanta gente achar que era difícil. Por que tão difícil? Não era apenas se jogar no mar com a prancha e cair na crista da onda?
É claro que antes de comprar fiz aquelas perguntinhas básicas pro vendedor que me apontou um amontoado de pranchas num canto da loja:
-Como é que segura a prancha? Nas laterais ou na frente?
-Na frente.
-Ela serve também de salva-vidas?
-Não. Prancha não é uma bóia.
-Tá... Mas e se eu me afogar?
-Você morre! HAHAHA.
Eu não achei graça e ele ficou sério:
-Tem de saber nadar pra surfar...
-Eu até sei nadar em piscina.
-Em mar é diferente.
-Pois é. Se eu me afogar vou ter de gritar “Socorro!”
-É só nadar perto dos salva-vidas.
-Mas se tem salva-vidas geralmente é lugar de risco!
-Ah, então por que não faz escolinha de surf?
-Eeeeeuuuu????
Olhei pro vendedor incrédula. Ele logo viu que não era pra me perguntar isso.
Onde já se viu? Escolinha de surf? O negócio era aprender na marra! Escolinha de surf era o fim da picada!
-Vai querer pé de pato? – o vendedor tentou mudar de assunto.
-Não. Detesto pé de pato.
Ele deu risadinha. Acho que pensou que eu era boba e estava mentindo.
Quase conto a ele que eu tive pé de pato sim senhor, pé de pato na cor laranja, assim também como esta não era a primeira prancha de bodyboard que eu adquiria Aos nove eu ganhara da minha mãe uma prancha, pois tínhamos quitinete na praia do Corsário e todos os finais de semana ficávamos lá. Bastava atravessar a rua que já estávamos na areia.
A dificuldade era justamente essa: atravessar a rua com pé de pato segurando a prancha.
Não lembro como era surfar, mas sei que na época eu estava começando um curso de inglês e não parava de dizer “shit” porque tava na moda. Qualquer coisa era motivo pra dizer shit e no surf não seria diferente.
“Oh shit” eu dizia ao perder uma onda. “Oh shit” quando saia rolando na areia com a prancha.
Mas bem... Prancha não era que nem bicicleta que uma vez que se aprende a usar não esquece nunca mais. Apenas pensei que seria fácil no momento em que estivesse na água. Bem... Eu disse que eu só pensei.
Há!
Mal sabia eu que ter uma prancha vinte anos depois significava não saber nada de surf.
Em que planeta eu pensei que poderia surfar?
A ONDA
No farol da Barra entrei no mar com um monte de surfista me olhando.
Nem olhei pra eles, a minha preocupação era não deixar a prancha escorregar das mãos enquanto eu tentava atravessar a muralha da china, digo, as primeiras ondas que me empurravam de volta pra areia.
-E se meu biquíni sair do lugar?
Dane-se! Engoli água e coloquei a prancha na cabeça, fui atravessando várias ondas até chegar perto dos surfistas. Logo subi na prancha e tentei pegar as primeiras ondas, mas elas só formavam depois de mim.
Será que eu tinha ido longe demais?
Já estava cansada de esperar uma ondinha crescer atrás de mim, já estava até com o queixo colado na prancha olhando a água e pensando se haveria algum peixe gigante por ali.
Até que vi adiante uma onda lá longe se formando. Ela veio linda, lenta, sem espuma, apenas se agigantando, acho que até sorri pra ela. Mas então dei por mim, meu deus, ela ta vindo pra cá! Ai meu Deus, ela vai quebrar em mim, ela vai quebrar em mim! Quis nadar pra correr dela, mas a prancha era pesada pra ir comigo. Tinha de voltar a subir na prancha. Não ia dar tempo!
NÃO VAI DAR TEMPO! NÃO VAI DAR TEMPO!
Não sei como subi, não sei como foi.
Sei que de repente eu me vi envolta num monte de espuma alta me carregando, uma loucura, parecia que eu seria engolida, percebi então que estava realmente surfando, até que no meio do furacão de espuma fui parar na areia. A prancha deu um giro de 180 graus e eu fiquei ali na areia parecendo uma orca enterrada. Os joelhos ralados até a alma, o biquini eu nem queria ver, os cabelos cheios de areia e uma platéia boa olhando pra minha cara.
Ajeitei o biquine ainda deitada na prancha e me levantei rapidamente.
Voltei correndo pra água tentando conter a emoção:
-Consegui! Consegui!
Na ida um guri falou:
-Pegou mó ondona velho!
-Consegui! –falei pro guri.
Ok.
Eu dei sorte, porque de resto não consegui pegar mais uma ondinha sequer. Os surfistas invejosos se exibiram e quando uma onda chegava eu nem arriscava porque já havia três em minha frente pra pegar. Tudo bem, eu havia pegado A Onda! Como naquele filme “A onda perfeita”. Caramba, eu me senti no Havai!
No outro dia tentei pegar de novo e nada, só marolinha. Tudo bem. Eu ainda tava sorrindo pelo dia anterior. E quando as aulas começaram o sonho de me tornar profissional foi por água abaixo. Virei surfistinha de uma onda só, mas que onda! Que onda!
---------------
Ai ai folks
Um bom filme? Amantes com Joaquim Phoenix e Gwyneth Paltrow.
Gostei tanto que até tirei uma cópia!
Que mais... Uma música? Ouço várias, mas se for para músicas velhinhas eu gosto atualmente de ouvir "The Captain of her heart" do Double que sempre passa na rádio e se for atual eu curto "Viva la vida" do Coldplay.
Mas vamos então ficar por aqui no trailler de Amantes
domingo, 27 de dezembro de 2009

2009 e Eu : Um balanço geral deste ano que está acabando
Em 2009 ganhei o melhor presente da minha vida: meu apê.
Mamãe com todo sacrifício comprou o meu cantinho e não foi nem um pouco fácil, só nós sabemos o sufoco que foi para consegui-lo.
Então que quando tudo deu certo, eu senti como se pisasse em nuvens e provavelmente ficarei assim por um bom tempo.
Todos os dias eu olho para todos os cantos do apartamento quase que incrédula.
Agora sim eu tenho um lugar para chamar de meu. Agradeço a minha mãe todos os dias, nem em mil anos vou conseguir expressar a minha gratidão. Ela foi, é, e sempre será incrível pra mim! Absolutamente tudo o que ela pede se realiza, é fantástico, toda vez que eu penso na minha mãe eu penso naquele seriado dos anos oitenta, “Mcgiver”. Se Mcgiver ficava preso num monte de pedras, ele achava um chiclete no bolso, um arame no sapato e saia dali com um canhão. Essa é a minha mãe.
Embora da metade do ano para cá tudo virou flores, o início do ano foi bem complicado.
O meu tio adoeceu, eu perdi um semestre inteiro na faculdade, não conseguia estudar direito, as minhas luzes nas laterais dos olhos apareceram com mais freqüência, a insatisfação de morar de aluguel, meu Deus, que dificuldade.
Mas então o apartamento veio, fiquei curada das minhas luzes (pasmem, já tinha quatro anos com isso!), meu tio ficou bem de saúde (graças a minha Mãe!) e eu finalmente consegui passar nas disciplinas da faculdade.
Pra completar ainda recebi um convite da mesma para publicarem um artigo cientifico que fiz. Fui indicada por um professor, leram, gostaram e me convidaram.
Poderia eu ficar mais feliz?
Por fim, posso dizer que tudo serviu de lição.
A impressão que eu fiquei é que muitas vezes, quando menos se espera, as coisas realmente acontecem e podem ser coisas muito, mas muito boas. No entanto, é preciso produzir, porque ficar parado não dá. Foi assim que eu vi esse ano. Um ano em que parei por completo e depois recomecei produzindo. Percebi que não ter foco não chega a ser crucial para algumas realizações. O primeiro passo é produzir. E isso, da metade do semestre pra cá, eu acho que fiz bem.
Mas 2009 foi 2009 e todo mundo sabe o quanto ele foi turrão.
É claro que não ia deixar por menos comigo.
Só pra selar com chave de ouro, deu-me uma infecção intestinal/estomacal bem na semana do Natal e só agora eu estou me recuperando.
-Maldito molho Shoyo! – gritei.
2009 riu, despedindo-se de mim toda vez que eu ia ao banheiro (20 vezes ao dia), toda vez que meu estômago e intestino se reviraram durante noites até que eu ficasse insone pensando estar com uma infecção generalizada ( foi por pouco).
O meu Natal em suma foi: banheiro, remédio, banana, banana, remédio, banheiro e muitas garrafas de soro.
Hoje é o meu primeiro dia realmente bem, mas ainda tomarei remédios até terça.
É isto folks.
Espero ano que vem escrever mais por aqui.
Com vocês a minha mamãe:




